Novas Dicas

Sem terra firme – Será que isso é possível?

Não saber onde você está pisando é uma sensação muito ruim.
Faz com que a gente pense coisas que não deveríamos pensar e façamos coisas que depois temos vergonha de admitir até pra gente mesmo.

Faz com que a emoção seja desproporcionalmente mais forte do que a razão. Faz com que a gente tenha oscilações de humor muito maiores do que quaisquer hormônios jamais seriam capazes de assumirem a culpa.

E nem é só não saber onde está pisando.

É sair da terra firme e ir para o mar em cima de um pedaço de madeira que fica oscilando e a gente não faz ideia de até qual momento ele vai aguentar e a gente vai cair na água gelada e fim de jogo. Ou não. Pode dar tudo certo e a gente atravessar esse mar revolto e chegar em outra terra firme, mas até lá, minhas amigas, é tudo um mar de incertezas. No qual ficamos à deriva.
E eu estive em terra firme por muito tempo.

O que faz com que o desequilíbrio em cima desse pedacinho frágil de madeira seja ainda maior. Eu não estou acostumada. Não tenho prática. Qualquer ventinho que bate eu já acho que vou cair. E eu fico tentando me segurar numas coisas nada a ver.

Na real, pode ser divertido. É aquilo né. Novo, instigante, excitante.
Mas não saber onde você está pisando ainda é muito ruim.
E eu sou uma pessoa que veio da escola da honestidade.
Por muitos anos eu tive essa relação de ser honesta com o outro sobre tudo. Como eu estava me sentindo, o que era daora, o que não era, o que me incomodava, o que me deixava feliz pra dedéu.

Sabe aquilo de falar “Tá tudo bem, sim” só que por dentro estar se mordendo e querendo matar e falar “Não, não tá tudo bem, tá tudo uma grande merda”? Então, não tinha isso. Quando eu falava que tava tudo bem, era porque tava. E vice-versa.

E a vida era bem linda sem joguinhos.

Mas parece que foi instituído (ou sempre foi e eu que nunca percebi) que joguinho é o jeito de viver. Falar isso pra entender aquilo. Não falar nada. Ou falar muito. Ou pensar na estratégia (???). Ou não falar primeiro. Esperar falar.

Como a gente não sabe onde a gente está pisando, tudo é uma grande aposta.
Que exaustivo!

Ao mesmo tempo, é compreensível. Quando você não sabe onde está, fica difícil se abrir tanto. Ser tão sincera. Tão honesta. Se essa fosse a regra, sim. Mas não é.

Tem que ter paciência. Tem que ter cuidado. E a gente quer se proteger. Porque no fim, ninguém quer sofrer. E quando a gente abaixa a guarda, é quando a gente está mais propenso a se arrepender.

Mas é também quando a gente está mais propenso a ter as melhores sensações da vida. E sensações únicas, que se a gente se priva, pufff, já foi, já era, perdeu, quem sabe duma próxima, não é mesmo?

Não é uma loucura ficar pensando nisso o tempo todo? Até que ponto vale a pena abaixar a guarda e se deixar sentir coisas e mostrar isso? E que horas a gente tem que guardar pra gente, que vai ser melhor? É uma matemática caótica. E como me mostrou minha amiga-maravilhosa Taia Duarte, com a imagem abaixo, “o risco que eu tomei foi calculado. mas cara, como eu sou ruim em matemática”.

Meus amigos, solteiros há muito mais tempo do que eu, vira e mexe ficam tirando sarro da minha falta de paciência pra esses joguinhos. Eu queria mesmo era ser honesta. Mas a verdade é que também tenho medo. Quem não tem?

Só que tenho pensado muito sobre isso, e falado muito disso com as pessoas.
Vocês me conhecem. Eu sou a rainha dos questionamentos. Não há uma coisa que aconteça na minha vida que eu não transforme em uma teoria.

E a minha, nesse momento, é que a gente tem que fazer o que nosso instinto -ou intuição- nos diz pra fazer. Quanto mais real for a nossa atitude, melhor vai ser o resultado. Mais gostoso. Mais especial. Mais intenso.

Pensando bem, eu não quero uma vida calculada. Asséptica. Livre de emoções. Desprovida de decepções. Estratégica.

Quero dançar quando tiver vontade de dançar. E dizer quando tiver vontade de dizer. E calar quando sentir que é preciso.

É um tiro no escuro, sim.
É ficar em pé em cima dessa tábua de madeira que oscila pelo mar.
É dar chance pra me machucar. É abaixar a guarda.
É tudo isso.

Eu vou continuar sem saber onde estou pisando. Mas cada passo que eu der, eu vou dar com vontade. Se eu pisar em falso, que seja.

É melhor mesmo saber se vale a pena. Antes de perceber que você estava navegando em círculos o tempo todo. Sem chegar a lugar nenhum.

Porque né, tão boa a sensação de aprender a se manter cada vez mais firme em cima dessa tábua. E ver, mesmo que longe, um sinal de uma nova terra onde pousar os pézinhos.

Só tem que estar disposta, e não ter (tanto) medo.